Cindy Sherman Expandida é o título que dei para essa ação pelo choque que provocam as suas figuras em grande escala quando se entra na galeria pela primeira vez. Já da rua a visão é perturbadora: o que são aquelas mulheres gigantes, olhando os transeuntes pelas largas vitrines da galeria? Observando aqueles que passavam, eu pude notar as perguntas e olhares indagativos que faziam. A disposição das figuras na galeria de vidro, a escala aumentada, a repetição da mesma mulher encarnando personagens completamente distintos, tudo isso provoca espanto e questionamentos.
Dentro da galeria, a sensação é de estar no meio de gigantes: arquétipos femininos que não são mais a mulher que os personifica pela esmagadora escala em que se apresentam. O corpo do personagem é maior que o nosso corpo, deslocando a persona do campo físico para o abstrato. O espaço pequeno da galeria Sprüth & Magers em contraste com a escala das figuras também ajuda na abordagem intimista, trazendo a sensação de que estamos literalmente dentro da nossa cabeça e que aquelas figuras são pensamentos que emergem do nosso inconsciente para nos indagar.
(texto e imagens por Fernando Nemoto - Londres, fev. 2011)
